Levar conhecimentos sobre audiovisual para dentro da comunidade e estimular os próprios moradores a registrarem suas histórias foram alguns dos objetivos da 2ª Oficina Audiovisual para Indígenas, realizada na Aldeia Palmeirinha, na Terra Indígena Laklãnõ-Xokleng, em José Boiteux. Promovida pelo Coletivo Audiovisual Lageano (CAL), a atividade mais de 20 participantes em uma experiência de formação, troca e experimentação.
Durante a oficina, os participantes tiveram contato com conceitos relacionados à linguagem audiovisual, documentário, construção de roteiro e produção de imagens. A proposta foi apresentar ferramentas que pudessem ser utilizadas pelos próprios integrantes da comunidade na criação de seus registros e conteúdos.
Para Suzane Faita, uma das oficineiras e integrante do CAL, aproximar o audiovisual das comunidades indígenas também significa ampliar as possibilidades de preservação e compartilhamento de suas histórias.
"O audiovisual pode ser uma ferramenta importante para registrar memórias, conhecimentos e experiências que fazem parte da vida da comunidade. Quando essas histórias são contadas por quem conhece e vive esse território, elas ganham outras perspectivas e fortalecem o protagonismo de quem está por trás da câmera", destaca.
Para a produtora local Jéssica Priprá, que integra a comunidade e acompanhou as duas edições da oficina, a formação contribui para ampliar o conhecimento sobre o uso das tecnologias e do audiovisual como ferramentas de expressão e mobilização.
"Cada vez mais, a tecnologia e o audiovisual são utilizados, e esse tipo de ferramenta é muito importante, principalmente para nós, que estamos em constante luta pelo nosso território e pelos nossos direitos. A oficina fortalece esse processo porque nos traz mais conhecimento e estratégias sobre onde e como utilizar a tecnologia. Ela tem sido muito importante para dar mais visibilidade às nossas lutas e para que a gente possa falar da nossa própria história”, completa.
A realização da oficina na própria Aldeia Palmeirinha também contribuiu para aproximar o processo de formação da realidade dos participantes. Ao longo das atividades, conhecimentos técnicos foram compartilhados a partir das experiências e dos repertórios presentes na própria comunidade.
Nesse sentido, a iniciativa busca contribuir para o surgimento e fortalecimento de narrativas originárias, ampliando os espaços para que diferentes histórias, saberes e perspectivas possam ser registrados e compartilhados por seus próprios protagonistas.
A atividade foi conduzida pelos integrantes do CAL Suzane Faita e Armin Reichert, como oficineiros; como Andrey Farias (produtor); Nano Perin (assistente de produção); Joana Trombeta (monitora); e Leandro Benedetti (monitor); além dos moradores da terra indígena Jessica Priprá (produtora local) e João Cricri (tradutor Laklãnõ-Xokleng).
A 2ª Oficina Audiovisual para Indígenas é uma proposta cultural selecionada no Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, realizada com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Texto: Núbia Garcia
Foto: Joana Trombetta
