“João das Cruzes” está em fase de desenvolvimento. Após a conclusão do roteiro, equipe buscará formas de custear a produção
Um dos conflitos armados mais sangrentos do sul do Brasil vai se tornar um filme de ficção produzido por integrantes do Coletivo Audiovisual Lageano (CAL). Contemplado em 2024 na fase de roteiro, no edital do Circuito Catarinense de Cinema, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o longa-metragem “João das Cruzes” é um drama histórico de ação, ambientado no período pós-guerra do Contestado.
Assinado por Armin Daniel Reichert, “João das Cruzes” aposta em uma história de ação, com a clássica jornada de vingança, toques de misticismo e, ao mesmo tempo, um olhar atento para as lutas de populações marginalizadas. A obra conta ainda com o envolvimento do script doctor Felipe Ferreira de Jesus, da diretora executiva Thaís Ramos e da pesquisadora Suzane Faita.
Inicialmente, “João das Cruzes” já havia sido contemplado em uma premiação para roteiro de um curta-metragem. Instigado pelo aprimoramento do processo de criação, o roteirista inscreveu o trabalho no PNAB 2024 para transformar o material em um longa-metragem. Neste final de 2025, o projeto chega à fase final da etapa de criação, mas os envolvidos pretendem inscrevê-lo em outros editais para aprimorar ainda mais o texto e, só depois, ir em busca de financiar os custos com filmagem e distribuição.
“Esses mecanismos para desenvolvimento de roteiro são de extrema importância não só para que possamos ter materiais competitivos em editais e laboratórios, mas também para apresentar aos players, streamings e produtoras, um produto de qualidade. Essas chamadas públicas permitem que a escrita deixe de ser uma atividade solitária, e passe a ser um processo coletivo”, comenta Armin.
O processo de escrita começa com a ideia do roteirista sendo colocada no papel. Simultaneamente, entra em ação o script doctor (ou doutor de roteiro, em tradução livre), um profissional que analisa, lapida e propõe ajustes em estrutura, diálogos, personagens e ritmo.
“Quando o Armin me convidou para escrevermos juntos sobre este episódio histórico, me apaixonei pela proposta. Sou lageano e cresci cercado pelas histórias de João Maria, muitas delas contadas pelo meu avô. Ele falava das profecias, dos benzimentos e da ajuda prestada aos mais pobres. Esse contato desde cedo despertou em mim o desejo de escrever algo ambientado nesse universo”, lembra Felipe.
Além dos dois roteiristas, o projeto também conta com a participação de uma pesquisadora e de uma diretora executiva. A pesquisadora contribui para alinhar o tema ao contexto histórico e trazer veracidade à trama, enquanto a direção executiva pode orientar os roteiristas indicando previsão de gastos para filmagens e criando plano de negócios, dentre outras atividades administrativas ligadas à produção.
Armin destaca que é comum que a temática da Guerra do Contestado, ocorrida no início do século 20, seja retratada através de documentários, mas lembra que são poucos os filmes de ficção sobre o tema, a exemplo de ‘A Guerra dos Pelados’, um drama épico dirigido pelo catarinense Sylvio Back.
“‘João das Cruzes’ terá muita ação e cenas de batalha. Será uma espécie de western latino, por isso temos trabalhado com pesquisa detalhada para refinar a narrativa e levar às telas um retrato muito fiel às pessoas daquele período, suas etnias, suas roupas, seus costumes, suas falas”, completa Armin.
